segunda-feira, 25 de abril de 2011

Loucura


Quando eu era pequeno achava que não havia motivo no mundo que pudesse gerar pessoas tão tristes, depressivas, suicidas, insones, cheias de tiques nervosos, ansiedades exageradas, entre outras agonias/tristezas que a vida moderna tende a inserir dentro do cérebro da gente. Hoje em dia vejo que muitas vezes não é um motivo ou conjunto de motivos que leva alguém a ficar extremamente infeliz ou simplesmente desmotivado e cansado de viver. Acho que a estrutura em que nos organizamos já vem com um "quê" ou com uma capacidade intrínseca de auto-destruição.

Antigamente achava que depressão era coisa de gente fraca e medrosa. Hoje em dia vejo que mais da metade das pessoas que conheço já tiveram um episódio depressivo forte (eu me incluo nessa). Tempos atrás achava que psiquiatra era uma profissão que tratava loucos (no sentindo de uma minoria social realmente com problemas na massa cinzenta). Hoje em dia acho que a "loucura" não se enquadra mais na estatística da minoria e nem no ramo de doença cerebral, mas está mais para uma espécie de "gripe psicológica" gerada pela estrutura social em que vivemos.

É normal você estudar, trabalhar, almejar algo, e depois de alcançar este algo você simplesmente descobre que fez e continua fazendo tudo isso só para tentar se enganar e fingir que está no caminho de algo que quem sabe, talvez um dia, fará você realmente feliz. A gente sabe que é tudo "Ouro de Tolo", mas finge que se esquece disso, só para conseguir dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar...

Acredito que não temos tanta culpa assim. Vivemos em uma estrutura que nos faz assim. O trabalho hoje em dia é um meio de tentar comprar sanidade mental. O trabalho te faz doente e paga o tratamento da sua doença. Quanta loucura! E mesmo trabalhos com potencial para serém legais acabam tendo seu brilho obscurecido por entidades místicas como índice de desempenho, ambiente coorporativo, reuniões inúteis onde se discutem egos e não idéias efetivamente voltadas para melhorar as coisas, burocracias que te fazem querer bater a cabeça na parede de tanta raiva e por aí vai...

Acho que no fundo a culpa não é de ninguém. Vejo o Universo e particularmente o nosso planeta, o homem e a estrutura social em que vivemos como o resultado de um processo físico, governado por leis físicas, cujas equações são as mesmas, imutáveis, o resultado no fundo só depende das condições iniciais de um processo que um dia começou e um dia irá terminar.

Sei que pode soar muito depressivo e talvez exagerado, mas analisando tudo do ponto de vista racional e com a frieza que me é inerente, grande parte das vezes acredito que nós só estamos aqui perdendo tempo. Mas enfim, posso estar errado, então amanhã levanto da cama e continuo tudo de novo...

3 comentários:

Lara Amaral disse...

Lendo isso, lembrei-me de um conto que escrevi no ano passado: http://laramaral-teatrodavida.blogspot.com/2010/12/despertar.html

Rafael disse...

Esse seu texto é simplesmente maravilhoso Lara. Não conhecia esse conto e fiquei impressionado em como ele reflete o que tenho sentido ultimamente. Esse seu texto se parece com as músicas do Raul no sentido de que capta um sentimento universal, atemporal e de uma maneira extremamente direta e bem colocada. Estou de cara!

Marlé disse...

Resolvi dar uma passadinha aqui e quis comentar do seu texto!
=)

Realmente tudo é influenciado pelas leis físicas, mas a sensação que passa quando vc escreveu que "o resultado no fundo só depende das condições iniciais de um processo que um dia começou e um dia irá terminar.", é de que a vida parece uma equação matemática, com um resultado imutável e uma linearidade previsível. Considerando que o fim é a morte e nos tornaremos pós de estrela, como vc costuma falar, sua colocação é ótima, pois esse fim é imutável. hahaha Mas considerando o fluir da vida, creio que as coisas não sejam assim. Vejo além de uma linearidade previsível, as coisas são bem mais complexas e interligadas. Vejo a vida como uma teia de possibilidades, a questão do fluir dela está em todas as nossas pequenas escolhas diárias. Partindo disso, creio que a cada nova escolha, essas equações que vc colocou, são modificadas, afinal, os termos da equação foram alterados. Sei lá se faz sentido ou se deu para me entender, mas isso é mais coerente para mim. hehehe

Quanto à colocação "grande parte das vezes acredito que nós só estamos aqui perdendo tempo", creio que todos os seres que estão nesta baixa Terra já sentiram isso ou sentirão em algum momento da vida. Creio que essa seja a principal questão que o ser humano precisa lidar ao longo da vida, afinal, por que diabos estamos aqui? Encontrar esse sentido pode levar a vida inteira. Pode parecer papo de livro de auto-ajuda, mas o esquema realmente em manter a chama da vida acesa está na reinvenção diária e na busca da concretização de sonhos. Sem isso, não haveria razão de estarmos aqui. E nada do que fazemos teria algum sentido. E aí está também mais uma escolha de vida. Optar pela aparente perda de tempo e sentido das coisas ou escolher por usar o tempo da melhor forma possível e ver um sentido nas pequenas coisas que fazemos. Tudo é uma questão de escolha.

;-)