Não sabemos porque vivemos, mas enfim, estamos vivos, pensando, agindo, interagindo, buscando algo que não sabemos, mas enfim, buscamos. Planejamos, idealizamos, trabalhamos e projetamos um futuro feliz. Passamos a maior parte da vida trabalhando em cima de um projeto ambicioso de felicidade futura.
Às vezes fico impressionado com o tanto que somos complexos e ao mesmo tempo ridiculamente simples. Poderia comparar cada ser humano na face da terra a um robô que responde à estímulos e possui seu próprio algoritmo de tomada de decisões baseado em previsões grosseiras das consequências futuras de uma decisão tomada no instante atual. Em grande parte do tempo o ser humano parece uma entidade programável. Se acreditamos que algo nos fará feliz, corremos atrás desse algo.
O complicado é que não somos uma ilha. Interagimos com muitas pessoas, que por sua vez interagem com milhares de outras pessoas e acabamos eventualmente presos numa teia de relações complicadas e imprevisíveis e de repente somos arrastados para situações que fogem do nosso controle. Encaro esse tipo de situação como um erro de programação, de repente alguém esqueceu de colocar uma vírgula no lugar correto no meio das linhas do código e o caos se encarregou de propagar de forma impiedosa essas pequenas alterações na condição inicial, é o velho clichê que diz que o bater de asas de uma borboleta no Texas pode causar um furacão em outro lugar do mundo.
Essas interações complicadas por sua vez são os agentes externos responsáveis por fazer com que você pense o que está pensando e faça o que está fazendo. De alguma forma acredito que nós não tomamos efetivamente nossas decisões, apenas respondemos ao que o Universo faz com a gente. Acho que o próprio algoritmo de tomada de decisões é resultado de uma programação física que de acordo com as reações químicas estimuladas pela intensidade de corrente elétrica que passa nas nossas células nervosas acaba tomando decisões.
Agora, porque sentimos que precisamos fazer algo para melhorar quando estamos tristes? Porque sentimos vontade de ajudar uma pessoa querida que está mal? Porque gostamos de alguém? Porque somos tomados por sentimentos irracionais tantas vezes na vida?
Confesso que não tenho a resposta para todas essas perguntas, mas acredito que estudando um sistema de regras de programação e observando como as pessoas reagem a certas situações, serei capaz, em breve de entender melhor porque somos da maneira que somos. Só sei que eliminando o livre-arbítrio da jogada, tudo fica um pouco mais fácil de entender, só precisamos encontrar os axiomas nos quais se baseiam a lógica do comportamento humano e a partir daí todo o resto fará sentido!
Um abraço!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A eterna busca
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4 comentários:
Oi Rafinha,
Gosto de ler bons textos, mesmo que polêmicos, saídos de uma mente inquieta, em busca de respostas difíceis.
Ainda não consegui definir se acredito ou não em Deus. Como vc mesmo disse, acho mais fácil e confortável acreditar Nele, mas por outro lado não consigo me sentir atraída por nenhuma religião, embora tenha sido criada dentro de um colégio de freiras e tenha recebido uma educação católica. Também sinto certa ojeriza por dogmas que muitas vezes não fazem sentido e que já estão ultrapassados no tempo.
Já cansei de ouvir, por ex., que ainda não estou curada porque não tenho religião, pq não assisto missas, cultos religiosos e coisas afins.
Qto ao seu quetionamento, acho difícil que qualquer regra de programação, por mais matemática que seja, consiga definir o homo sapiens com 100% de acerto. As individualidades, as experiências e outras "cositas" sempre irão interferir e alterar a regra geral. Podemos até deduzir uma lógica de comportamento básica, mas ela nunca será imutável. Afinal somos seres complexos, com sentimentos e emoções muitas vezes contraditórios. O meio nos atinge de uma forma ou de outra, afinal somos parte dele.
Qto a tristeza. Ah, ela consome muita energia, nos desvitaliza e nos faz morrer um pouco. Não vale a pena.
Porque gostamos de alguém? Sinceramente, não sei. E o pior é que algumas vezes acabamos gostando da pessoa errada. Será um erro de programação?... Amar é difícil, mas apaixonar é tão bom.
bjs da tia Lourdinha
nem tudo e explicado com uma equação.
Será?
Eu digo: com certeza! Nem tudo é lógico e certo. Vc tem a vida como prova disso. Ou vc ainda não conseguiu enxergar isso? Os seres humanos podem agir de variadas formas que possam remeter à programação de um computador, no sentido que alguns estímulos possam causar um comportamento específico por conta de uma interiorização daquele fato (principalmente na infância). Mas ao longo da vida isso muda e tudo muda constantemente. Portanto, seria uma programação que teria uma série de algoritmos que varia de tempos em tempos, de acordo com os acontecimentos da vida. Como dar uma fórmula a tanta impermanência e mutação? No dia que vc conseguir provar isso, com fórmula, racionalidade e programação, eu te darei a minha vida.
Buscamos melhorar e nos sentirmos melhores quando estamos tristes por sobrevivência. É o instinto da vida falando mais alto que o da morte. A tristeza nos consome e aos poucos vai sugando nossa vida, se pertirmos sermos dominados por ela e pela depressão, é capaz que a vida perca totalmente o sentido e isso favoreça nossa morte. Sim, podemos até estar aqui respirando, mas estaremos mortos por dentro. Viveríamos como meros robôs, simplesmente vivendo um dia após o outro, sem a mínima motivação. Quem quer viver assim? Ninguém. Por isso que buscamos sair desse estado, pois há prazer na vida e é isso que a torna tão gostosa de ser vivida.
A vida é complicada. Tem pessoas que se envolvem com outras por uma série de fatores, mas o principal deles é que isso preenche de algum modo o vazio que todo ser humano possui dentro de si. Isso nos dá alegria e pode refletir a razão de viver de muitos por aí. Ajudar alguém que está mal é um gesto altruísta. O amar o outro permite que tenhamos capacidade de tirarmos o foco de nós mesmos e o mantenhamos na direção do outro. Mas, isso requer cuidado, quando esse ajudar passa por cima do amor próprio, pois pode nos prejudicar. E também tem que ver quando esse ajudar não passa apenas de uma questão de vaidade, quando busca-se fazer algo com o foco no sentir-se bem e para melhorar sua auto-imagem na sociedade e não necessariamente para ajudar quem está precisando.
O gostar de alguém envolve uma série de fatores: atração, a paixão e seus efeitos no nosso cérebro - estudos já provaram que a paixão se assemelha a uma droga -, compatibilidade, confiança, o prazer que se sente em estar com aquela pessoa "especial"... Alguns fatores do gostar podem ser racionais, como o fato do pensar que aquela pessoa seria compatível com vc para compartilhar uma vida. Mas outros vão além da razão e estão mais relacionados com nossos neurotransmissores. O pensamento pode ser controlado, mas a influência que alguém exerce em nosso corpo é impossível de ser controlada. A menos que consiga-se expurgar aquela pessoa do seu pensamento com um poder de controle de mente fenomenal. O sexo não é basicamente mental? Talvez a paixão siga a mesma linha. Ou, a menos que criem uma droga para freiar a paixão. Quem tomasse seria um louco com uma doença mental grave ao meu ver, quem iria querer perder esta faísca que torna a vida tão mais interessante e colorida?
Buscar entender e provar a lógica daquilo que é incompreensível e irracional pode ser uma meta interessante de vida, mas isso também pode ser um caminho para a loucura e angústia constante. E é aí que simplesmente optar por viver e deixar as coisas fluírem pode tornar as coisas simples, como elas de fato são. Muitas vezes vejo que o problema das pessoas está na demasiada racionalização das coisas. Pensar menos e viver mais, eis o que eu acho.
Flw!
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