Olá pessoal, aqui quem vos escreve é novamente o Caverna, ou o Gablinha, ou seja lá quem for, a pessoa por trás dos teclados (piadinha interna infame de um tecladista de banda de rock) que aqui se encontra.
Geralmente utilizo este blog para escrever algumas coisas que passam na minha cabeça devido às experiências de vida que me fazem mudar, aprender, sofrer, sorrir, enfim, viver esses dias que vão passando continuamente.
Esta semana tive uma experiência diferente, participei de uma cirurgia, na condição de operado. Hoje, três dias após o ocorrido, já em casa, decidi escrever alguma coisa neste blog, relatando essa minha última experiência, e sendo assim, vou começar de onde normalmente se começam as histórias: do começo.
Eu sempre tive dificuldade para respirar, sempre senti que devia fornecer um "input" de energia muito maior do que o normal para forçar o ar a passar por minhas narinas, que conduziriam a fonte da vida com segurança até o meu pulmão. Como engenheiro, e conhecedor do meu próprio sistema respiratório, na condição de experimentalista diário, onde o meu experimento principal, que me fez chegar às conclusões que apresentarei, era o simples fato de respirar, acabei concluindo que os canais que levavam o ar da magnífica atmosfera terrestre até os alvéolos pulmonares e os bronquíolos e consequentemente realizavam a mágica de me manter vivo e respirando, estavam na melhor das hipóteses apresentando uma perda de carga muito maior do que a habitual, como uma mangueira dobrada, que tem dificuldade em levar a água do registro para a grama. E isso sempre me trouxe uma série de conseqüências desagradáveis, como por exemplo: estar sempre cansado, dormir mal, roncar, assoar o nariz e soar como um espremedor de laranjas (ou trombetas de Damião), correr 1 minuto e já sentir muita dificuldade em fazer com que o ar entrasse e chegasse aonde tinha que chegar, ter dores de garganta freqüentes (a gente foi feito para respirar pelo nariz, "quando o telhado tem goteira a casa inteira fica molhada") , etc.
Depois de anos convivendo com um belo nariz por fora, mas ordinário por dentro, decidi ir no médico e fazer aquele exame, onde enfiam uma microcâmera nas suas narinas e enxergam como são os canais que conduzem o ar internamente. O médico ao final do exame disse: "é, seu septo nasal possui um desvio agudo e eu recomendo uma cirurgia para consertar isso daí." Fiz então uns exames (tomografia da face) que confirmaram o meu septo em forma de "s". E depois do processo, agendei a cirurgia.
Nesta quarta-feira chegou o dia da temida cirurgia. Meus pais estavam preocupados com a anestesia (geral) que eu deveria tomar e eu estava tenso, porque simplesmente eu sou assim. Se me mandam acordar cedo por algum motivo, eu vou dormir mal, tarde e vou ficar tenso, ponto final. Cheguei no hospital as 7 da matina (horário ingrato), com meu jejum de 8 horas e fui para a sala de cirurgia (muito fria). Na minha cabeça estava tocando uma música muito alternativa do Queen, chamada "Mustapha" do álbum "Jazz" e meus olhos viam luzes redondas em cima da cama que pareciam discos voadores que me abduziriam para um outro universo no meu inconsciente durante os efeitos da anestesia.
O tempo de esperar o médico chegar para me operar, foi mais do que suficiente para aumentar a ansiedade (coisa nada difícil para uma mente perturbada como a minha) e quando o médico auxiliar informou que "o doutor havia chegado", minhas pernas responderam a essa informação com uma tremedeira mais intensa do que pedal duplo de banda de trash metal, nas palavras do próprio médico, aquele sinal era o famoso "cagaço".
A experiência mais legal ainda estava por vir, e ocorreu quando chegou o anestesista, que me perguntou prontamente o meu peso e informou que aplicaria uma medicação que me deixaria mais calmo. Vale notar que a palavra "calmo", nesse caso, é um grande eufemismo, já que eu estava prestes a tomar na veia algo que me deixaria completamente apagado enquanto pessoas quebrariam os ossos do meu nariz com uma marreta em escala reduzida.
Depois que o médico aplicou a anestesia, me perguntou: "tá mais calmo?" Eu ainda respondi: "não, to tremendo do mesmo tanto", e de repente acordei operado e tonto. Foi muito impressionante o salto que o tempo deu naquele momento, a mágica havia sido feita e eu estava operado.
O resto da história não tem mais muita graça. To em casa, com o nariz quebrado, com duas talas enfiadas até o fundo do septo, tenho que tomar remédio para dor de 6 em 6 horas e lavar o nariz 3 vezes por dia, enfim, pós-operatório básico, que me obriga a ficar em casa o dia inteiro lendo, mexendo na internet, programando, aprendendo e jogando video-game.
Quando eu tirar a tala e estiver respirando bem, volto aqui para falar se valeu a pena esse sufoco todo. hehehe. Espero que tenha valido, mas ao menos, sei que no mínimo essa loucura toda rendeu uma história legal para um blog apagado de internet.
Um abraço senhores!
3 comentários:
Nada de excessos
e uma feliz recuperação! : )
Anestesia
é algo que também
me soa muito louco...
Beijo,
doce de lira
Eu também tenho este problema de desvio, sou estudante de engenharia e onde eu trabalho recebemos um equipamento (micromanômetro digital da fluke 922).
Dai estava mexendo nele e me deu a curiosidade de saber a pressão diferencial entre as narinas...haha...dito e feito fiz o teste comprovou.+/-20mmH20 na aspiração e +/-10mmH20 na exaustão..
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